Gestão

Governança corporativa nas empresas: o que é e como implementar?

outubro 16, 2018
Governança corporativa nas empresas: o que é e como implementar?
Tempo de leitura 7 min

Crescer é o objetivo de qualquer empreendimento. Mas, não adianta desejar esse crescimento se isso não acontecer de forma ordenada. Diante disso, torna-se imprescindível a implementação da governança corporativa nas empresas, que é o conjunto de processos, regulamentos, leis e políticas que determinam como uma organização deve ser administrada.

Esse conceito compreende o relacionamento entre a equipe de colaboradores, os diretores, sócios e os seus órgãos de fiscalização interna. As boas práticas da governança corporativa têm a responsabilidade de transformar princípios em orientações objetivas.

Por sua vez, essas orientações buscam facilitar o acesso aos recursos e impactar positivamente a qualidade da gestão do negócio, a sua existência e o bem de todos que o compõem.

Basicamente, podemos dizer que o objetivo principal é melhorar o relacionamento entre todas as partes interessadas na empresa, de modo a aumentar a confiança entre elas — o que é fundamental para impulsionar o seu crescimento.

Quer melhorar a gestão da sua organização? Confira, abaixo, tudo o que você precisa saber sobre a governança corporativa!

Quais são os seus pilares?

Esse modelo de administração se sustenta em quatro pilares. De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, os quatro pilares são:

  • Transparência: Consiste no desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. Não deve restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que condizem à preservação e à otimização do valor da organização.;
  • Equidade: Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas;
  • Prestação de contas: Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões e atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papeis;
  • Responsabilidade corporativa: Os agentes de governança devem zelar pela viabilidade econômico-financeira das organizações, reduzir as externalidades negativas de seus negócios e suas operações e aumentar as positivas, levando em consideração, no seu modelo de negócios, os diversos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional, etc.) no curto, médio e longo prazos.

Quais são as melhores práticas de governança corporativa nas empresas?

Há duas ferramentas indispensáveis para colocar em prática esse modelo de governança.

Auditoria independente

É o ato de auditar todos os processos de uma empresa, que gera informações mais claras e precisas para todos os envolvidos. Essa prática traz mais segurança para os acionistas, garantindo a transparência dos números e resultados da companhia.

Documentação

Esse ponto está relacionado aos documentos exigidos para a formalização de qualquer processo relevante para a definição das boas práticas de uma empresa.

Entre eles, estão o estatuto, o acordo entre os acionistas, o contrato social, o regimento interno e o calendário anual de reuniões.

A documentação originada por esses processos têm que ser armazenada em um portal específico de governança corporativa, permitindo que os gestores e os conselheiros tenham acesso fácil, independentemente do local em que estiverem.

Como implementar a governança corporativa?

Antes de implementar a governança corporativa na sua empresa, o ideal é criar essa cultura no ambiente de trabalho e, depois, iniciar pelos pontos que vão causar maior impacto. A implantação pode ser feita da seguinte forma:

Defina uma hierarquia

É necessário que os colaboradores saibam claramente quem são os seus gestores diretos, para que consigam estabelecer uma parceria alinhada de demandas, rotinas e projetos.

Quando se tem o apoio dos gestores, a equipe recebe as devidas orientações e entende o que deve ser priorizado dentro da organização.

Para que isso funcione corretamente, é crucial que alguém — geralmente, o diretor da empresa — tenha a palavra final durante as circunstâncias de impasse. Também é importante que essa atribuição esteja clara para todos.

Faça reuniões de acompanhamento

Sempre que o empreendimento tiver um novo projeto, é preciso que se estabeleça o hábito de realizar reuniões semanais de acompanhamento, bem como efetuar o registro desses encontros.

Eles podem ser feitos entre sócios, equipes, gestores e membros do Conselho Administrativo — o importante é que sigam uma periodicidade.

As reuniões também devem garantir que os processos sigam o andamento previsto, a definição das estratégias de trabalho e os planos desenvolvidos, para que seja viável alcançar os indicadores e os resultados almejados.

Dessa forma, é mais fácil controlar tudo o que está acontecendo, além de estruturar as metas de qualquer atividade.

Para tal, registre por escrito as reuniões em atas para que todos os tópicos abordados e ações a serem praticadas sejam consultados quando houver necessidade.

Se a empresa tem investidores, é recomendável armazenar esses materiais — uma vez que eles podem ser solicitados para melhor compreensão dos processos.

Além disso, os demais registros, como documentos, projeções, políticas e balanços financeiros também podem ser solicitados a qualquer momento.

Sendo assim, eles deverão ser atualizado frequentemente. Com isso, pode-se prestar contas para os seus sócios ou possíveis investidores, e agregar embasamento para fundamentar as decisões internas do negócio.

Forme um conselho consultivo

Por meio de um conselho consultivo, você possibilita trocas de experiências e abre espaço para que os participantes tragam sugestões para melhorar os processos da empresa.

O conselho deve ser composto por profissionais que representem diferentes perfis, com grande experiência e vivência de situações semelhantes às que a organização está enfrentando.

Durante as reuniões, é preciso que as dificuldades sejam expostas com riqueza de detalhes, para que os membros ajudem na tomada e decisão e contribuam para com todos os tipos de melhorias.

A frequência com que elas serão realizadas deverá ser determinada conforme o código de governança do negócio.

Sugere-se que esses encontros contem com a participação de três a cinco pessoas que sejam de sua confiança. Os temas a serem discutidos estarão sempre direcionados para o aumento da eficiência da empresa, e como ela pode aprimorar os seus processos e inovar para que ganhe mais reconhecimento no mercado de atuação.

Quais são os benefícios da governança corporativa nas empresas?

Por meio da governança corporativa, é possível obter diversas vantagens para o empreendimento, sendo que elas estão sempre associadas à melhoria dos processos, conquista das metas e aumento da credibilidade em seu nicho.

Esses princípios diminuem as possibilidades de fraudes com relação aos seus recursos financeiros, de falhas no planejamento e nas ações, e de abuso de poder por parte dos acionistas para com a sua diretoria e vice-versa. Confira alguns dos principais benefícios.

Revela boas práticas

Quando a organização presta contas de todos os seus processos, indicadores e recursos financeiros para os sócios ou acionistas, ela evidencia que trabalha corretamente e que se preocupa em cumprir as boas práticas do mercado.

Ganha credibilidade

Ao colocar a governança corporativa em prática, você leva transparência e clareza sobre as atividades da empresa para os clientes, fornecedores, investidores, governo e sociedade.

Por consequência, isso amplia a sua credibilidade e as chances de entrada de capital financeiro.

Facilita a captação de recursos

Torna-se muito mais fácil buscar e conseguir novos investimentos quando se tem melhores práticas na administração. Essa condição eleva as possibilidades de retorno dos investimentos, de crescimento e de atingir as metas.

Evita falhas

Há uma sensível melhora nos processos e rotinas da companhia, reduzindo a ocorrência de problemas e falhas como, por exemplo, erros estratégicos cometidos pela diretoria.

Isso porque é feita a descentralização da tomada de decisão, visto que todas as partes interessadas participam das tarefas que lhes cabem.

O conceito de governança corporativa nas empresas está diretamente ligado ao cotidiano de organizações mais estruturadas e com estabilidade no mercado.

Assim sendo, as suas práticas resultam em uma grande vantagem competitiva frente aos concorrentes.

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