O real conceito de felicidade

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Para psicóloga, o chamado “novo normal” pode contribuir para que as pessoas olhem mais para dentro de si do que para fora e repensem sobre o que, de fato, faz sentido nesta vida.

Existem datas que nos chamam para uma reflexão. O dia do nosso aniversário e o ano novo por exemplo são exemplos considerados culturalmente a marca de um novo ciclo, uma nova oportunidade.

Aproveitamos estes momentos para refletirmos se, de fato, estamos fazendo as escolhas certas e, consequentemente sendo felizes

2020 veio para marcar a história, com um cenário inusitado e, arrisco dizer, quase nunca imaginado em tamanha proporção. Parece ter virado o mundo ao avesso.

Tudo isso nos fez um convite (sem pedir licença para entrar), de transformar a reflexão uma prática diária e constante. Essa autoanálise deveria acontecer com maior frequência, desatrelada do calendário, afinal sempre é tempo de mudar.

A melhor hora para mudar vai ser sempre o agora. E essa necessidade se acentua ainda mais com os dias de hoje. É preciso entregar agora, fazer agora, se adaptar às novas estratégias e cenários. Ser feliz deve ser a sua pauta principal nos 365 dias do ano.

Como a fragilidade da vida foi colocada à prova por causa de um vírus desconhecido, valorizar e vivenciar as coisas simples, que realmente fazem sentido, foi ganhando contornos mais importantes para se chegar ao real conceito de felicidade.

A premissa da Reflexão, que parece ter sido retirada de um livro de autoajuda tem, inclusive, validação científica.

Segundo um estudo da renomada Universidade de Harvard, nos EUA, que durou mais de 75 anos, e terminou antes mesmo da Covid-19, “o segredo da felicidade são as relações pessoais que cultivamos. Quem cria laços fortes em seu meio social vive mais e melhor” – para além de dinheiro, status ou emprego.

Isso significa que o sucesso maior de nossa vida está no afeto trocado, dividido, saboreado e devolvido.

A conclusão da pesquisa de Harvard me faz sentido e vai de encontro ao que eu acredito. Como diz o filósofo contemporâneo Mário Sergio Cortella:

A felicidade é um sentimento de vitalidade exuberante, totalmente episódica e que acontece com uma certa frequência em nossa vida, ou seja, trata-se de um estado de espírito pontual e não algo contínuo”.

E ainda completo, a base da felicidade é estar bem consigo mesmo. Só conseguimos fazer bem ao outro quando estamos bem conosco. E aí entra o compartilhamento, as trocas.

Independentemente de quais sejam nossas crenças, aspirações e convicções, ela [felicidade] mora na troca com o outro, na construção de afetos ao longo da vida.

Acredito que ser feliz é algo subjetivo, cada pessoa tem uma concepção diferente sobre sua própria felicidade, por isso a busca por maiores significados e sentido da vida é maior do que emoções passageiras que o materialismo pode proporcionar.

Cada ser humano tem o livre arbítrio para ir em busca daquilo que faz seus olhos brilharem, contudo, ressalto a importância de não nos prendermos à padrões impostos, como se estes fossem o único caminho possível para ser feliz.

É preciso termos uma atenção muito especial no que se refere, por exemplo, a felicidade vendida nas redes sociais. O que te faz feliz não deve ser medido pela tela do celular. Não sou contra o Instagram, o Facebook ou outros mecanismos virtuais de relacionamento do mundo moderno; (admiro as vantagens e as facilidades que eles agregaram em nossas vidas), mas a amplitude da palavra felicidade é muito maior que um like.

No dia oito de junho, considerado o “Dia da Felicidade”, convido à prática da reflexão diária, permita-se olhar mais para dentro de si do que para fora, valorize um momento seu com você mesmo.

Utilize do que for necessário para uma melhor concentração, aproxima da natureza e perceba seus pequenos detalhes (como a beleza dos ipês amarelos nas ruas), faça meditações, yogas, presenteie a ti mesmo com algo que gosta de comer, vestir, fazer, foque no seu bem estar! As coisas simples ganham um valor realmente importante para quem compreende a beleza de todas elas.

E é justamente na dor e nos momentos de turbulência que, a felicidade deve ficar ainda mais evidenciada. Isso porque, são as perdas que nos fazem perceber o quanto éramos felizes com o trivial e não sabíamos. Por exemplo, veja só, como o abraço hoje faz falta?

Ana Luiza Rodrigues – especialista em Gestão Estratégica

Ação Consultoria

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